Brasileiros são majoritariamente contrários às bets
Liberdade individual vs. intervenção do Estado
A primeira afirmação testa a tese oposta à regulação, “é uma opção de entretenimento que não deveria ter interferência do governo” e é rejeitada com força: apenas 7% concordam totalmente, contra 55% que discordam totalmente (mais 23% que discordam), somando 78% de rejeição total à ideia de que o Estado deve ficar de fora do tema. É a afirmação com a rejeição mais unânime de todo o bloco.
Na outra ponta, a última afirmação, “a responsabilidade de gastar com bets é individual, o negócio não deve ser prejudicado por jogadores irresponsáveis”, também é majoritariamente rejeitada, ainda que de forma um pouco menos avassaladora: 37% discordam totalmente e 28% discordam (65% de rejeição), contra 29% que concordam total ou parcialmente. É o único item do bloco em que a discordância, embora vencedora, não passa dos 70%, mostrando que existe uma minoria relevante, quase 3 em cada 10 entrevistados, receptiva ao argumento da responsabilidade individual.
O reconhecimento do risco é quase universal
62% concordam totalmente que as bets são um risco para a economia do país e para as famílias (mais 26% que concordam em parte, somando 88%). É a segunda afirmação mais consensual do bloco, superada apenas pela rejeição à “não interferência do governo”. Praticamente não há bolsão relevante de discordância: juntas, discordância parcial e total somam apenas 9%.
Regulação, proibição de bets fora da lei e do Tigrinho: os itens mais fortes
Três afirmações concentram os maiores níveis de concordância total do bloco:
Regulamentar a propaganda e impedir os exageros atuais: 57% concordam totalmente (82% somando concordância parcial).
Proibir bets que não se enquadrem à regulamentação brasileira: 69% concordam totalmente (89% no total).
Proibir o jogo do Tigrinho especificamente: 73% concordam totalmente, a maior concordância total de todo o bloco, chegando a 87% se somada a concordância parcial.
O Tigrinho, especificamente, aparece como o alvo mais consensual de restrição dentro do universo das bets, reflexo provável da repercussão do jogo como símbolo do vício e do prejuízo financeiro ligado às apostas.
Já a proibição de bets de forma ampla e irrestrita (sem o recorte “que não se enquadrarem à regulamentação”) tem concordância total de 58%, ligeiramente menor do que a proibição específica do Tigrinho ou das bets irregulares, indício de que o público distingue entre banir o setor como um todo e banir manifestações específicas percebidas como mais nocivas (jogo do Tigrinho) ou irregulares (fora da lei brasileira).
O tema das BETs revela um raro ponto de convergência num levantamento marcado por polarização em quase todos os outros temas: independentemente de gênero, idade, renda, religião ou região, a maioria absoluta do público quer mais regulação e restrição às apostas online, rejeita a ideia de que o tema deva ficar fora do alcance do Estado e vê nas bets, sobretudo no jogo do Tigrinho, um risco real à economia e às famílias. As diferenças entre os grupos são de intensidade (o quanto concordam totalmente), não de direção, o que é incomum diante do padrão de forte divisão por campo político observado no restante da pesquisa.
O levantamento completo, com todos os cruzamentos por perfil socioeconômico e regional, está anexado a esta publicação.
A pesquisa entrevistou 5019 brasileiros e brasileiras de todos os estados entre os dias 24 de julho e 06 de agosto de 2026. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais e a margem de segurança é de 95%
