Adesão às pautas do governo Bolsonaro

Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Maioria dos moradores do ABC discorda das principais teses propostas pelo novo governo

A maioria dos moradores do ABC, quando apresentados às principais pautas do recém iniciado governo Bolsonaro, demonstra discordância com todas elas.

Para alcançar esse resultado foi apresentado aos entrevistados um conjunto de frases e a eles foi perguntado o quanto concordavam ou discordavam de cada uma delas. As frases visavam representar os temas mais polêmicos defendidos pelo novo governo como a defesa da privatização, a posse e o porte de armas, menos direitos trabalhistas e o conceito do projeto “escola sem partido”.

O resultado mostra que há um distanciamento da população em relação ao que defende o novo governo. A maioria se posiciona de maneira oposta às teses governistas.

– Privatização
Para medir a adesão à intenção do novo governo de privatização de estatais, foi apresentada a seguinte frase: “O governo deve privatizar, ou seja, vender o maior número possível de empresas estatais”
A maioria discorda da afirmação, 13% discorda em parte e 41% discorda totalmente. 31% concorda, totalmente ou em parte e 9% nem concorda nem discorda.
A discordância é maior em Mauá e Diadema, cerca de 60% discordam totalmente ou em parte. São Caetano do Sul é a única cidade onde o número daqueles que concordam com a afirmação acima é maior do que aqueles que discordam. A concordância também é mais alta entre os mais velhos, os mais escolarizados e aqueles com renda mais alta.

– Menos direitos trabalhistas
“É preciso ter menos leis trabalhistas”. Essa frase foi apresentada aos entrevistados para avaliar o quanto eles estavam de acordo com a tese de diminuição de direitos trabalhistas para garantir ou gerar empregos, como a apresentada recentemente pela General Motors e defendida pelo presidente Bolsonaro ainda na campanha eleitoral.
A maioria, 53%, discorda da afirmação. 16% discorda em parte e 37% discorda totalmente. 32% concorda, totalmente ou em parte e 12% nem concorda nem discorda.
Santo André e Diadema são as únicas cidades onde a maioria, mais de 60%, discorda. São Caetano do Sul e Ribeirão Pires são as cidades onde a concordância é mais alta, cerca de 50%.

– Legalização da posse de armas
O governo Bolsonaro apresentou nos seus dias iniciais um projeto que facilita a posse de armas para qualquer cidadão. Para medir a adesão a essa iniciativa, foi apresentada a seguinte afirmação: “Possuir uma arma legalizada em casa deveria ser um direito do cidadão para se defender”
A maioria dos moradores do ABC discorda totalmente dessa ideia (51%) e outros 10% discorda em parte. 32% concordam totalmente ou em parte e 5% nem concordam nem discordam.
Há diferenças significativas ente os gêneros: entre os homens a concordância é acima da média (40%) e entre as mulheres a discordância é majoritária (68%).
Renda e escolaridade mais alta e evangélicos são segmentos onde a concordância com a afirmação acima também é acima da média, cerca de 40%.
São Bernardo do Campo e Diadema são as cidades onde a discordância é mais alta, quase 70%. Santo André e Ribeirão Pires é onde a concordância é mais alta, mais de 40%.

– Legalização do porte de armas
A pesquisa questionou também a respeito da defesa do porte de armas, ou seja, o direito de qualquer cidadão portar uma arma consigo. A frase apresentada foi a seguinte: “Poder andar livremente com uma arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender”.
Aqui a discordância é ainda maior. 66% dos entrevistados discordam totalmente com a defesa do porte de armas, outros 11% discordam em parte. 19% concordam totalmente ou em parte e 4% não concordam nem discordam.
A discordância entre as mulheres e entre aqueles com renda mais baixa supera os 80%. Em todas as sete cidades do ABC a discordância é majoritária, destaque para Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, onde mais de 80% discordam da defesa do porte de armas.
Um dado curioso é que até mesmo entre aqueles que tem expectativa positiva em relação ao desempenho do governo Bolsonaro, a discordância em relação a esse tema é amplamente majoritária.

– Ensino de educação sexual e assuntos políticos nas escolas
O projeto “Escola sem Partido”, que entre outras coisas, propunha restringir a discussão de sexualidade e política em salas de aula, tem a defesa de muitos membos do novo governo.
Para buscar saber o quanto os moradores do ABC estariam de acordo com esses conceitos, duas perguntas foram feitas:
“Em relação ao ensino de educação sexual nas escolas, o(a) sr(a) concorda totalmente, concorda em parte, não concorda nem discorda, discorda em parte ou discorda totalmente?”
“Em relação ao ensino de assuntos políticos nas escolas, o(a) sr(a) concorda totalmente, concorda em parte, não concorda nem discorda, discorda em parte ou discorda totalmente?”

Metade dos moradores do ABC concorda que haja educação sexual nas escolas. Outros 41% discordam, totalmente ou em parte.
Destaque para as mulheres, os mais jovens, renda e escolaridade mais alta, onde a concordância é mais alta, supera os 50%. Entre os evangélicos é onde a discordância é mais alta, 49%.
Santo André, Diadema e Rio Grande da Serra é onde a discordância em relação ao ensino de educação sexual nas escolas é mais alto, cerca de 50%.

Em relação à discussão sobre política em sala de aula a concordância é majoritária entre os moradores do ABC. 50% concorda totalmente e outros 18% concorda em parte. 22% discorda totalmente ou em parte e 9% não concorda nem discorda.
Homens, ensino superior e renda mais alta são os segmentos onde a concordância é acima da média, superando 70%.São Caetano do Sul e Ribeirão Pires é onde a concordância é mais alta, alcança 80%.
Entre aqueles que tem expectativa positiva em relação ao desempenho do governo Bolsonaro, a concordância com o ensino de assuntos políticos nas escolas também é majoritário.

DADOS DA PESQUISA

Nome da pesquisa
Adesão às pautas do novo governo – janeiro 2019

Margem de erro
3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no
total da amostra.

Tema
Opinião Pública

Período
11 a 15 de janeiro de 2019

Local
Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão
Pires, Rio Grande da Serra.

Amostra
1000 pessoas, moradores da região, com 15 anos ou mais.

Pesquisa ABC Dados_Adesão às pautas do gov Bolsonaro_jan2019